- Imagina um relógio… Um relógio que é preciso fazer parar. Tu e eu pará-lo-íamos como qualquer homem à martelada. A mulher não. Quando tem oportunidade, o que faz é desmontá-lo peça por peça. Tirar tudo cá para fora, de modo a que ninguém volte a ser capaz de o reconstruir. Que nunca mais volte a bater as horas… Valha-me Deus! Já as viste… Sim. Desmontam para sempre o mecanismo de homens capazes com um gesto, um olhar ou uma simples palavra.
Arturo Pérez-Reverte – O cemitério dos barcos sem nome